11.12.08

madonna na argentina

Já que pediram, aqui vão as minhas impressões sobre o show da Madonna na Argentina.

Depois de enfrentar horas de fila durante a madrugada naquele cheiro agradabilíssimo da Marginal Pinheiros, dormir poucas horas no chão, agüentando gente ouvindo Madonna a madrugada inteira e falando de casos na Blue Space, acordar com as calças molhadas de sereno, e fazer revezamento de fila de manhã, tudo isso para conseguir pagar caro para ficar perto do palco e enxergar alguma coisa, tudo deu errado, e eu acabei perdendo meu ingresso pra assistir aqui no Brasil. Quatro dias antes do show na Argentina decidi tentar comprar um ingresso no Campo VIP do River Plate. Tava tudo esgotado, mas eu vi que tinha muita gente vendendo no Mercado Livre. Acabou que, depois de falar com alguns argentinos no telefone, fechamos a venda com um cara por fora do mercado livre... 700 pesos argentinos por cada ingresso. Foram dois ingressos. Mais passagem, mais hotel, mais todo o resto... e muita torcida pra não levar um cambau chegando em Buenos Aires... Virei noites e noites pra terminar todo o meu trampo... - trampo não, trampos... quatro ao mesmo tempo... - pra poder viajar sem deixar ninguém na mão... isso também não deu muito certo... mas enfim... acabou rolando... e foi ótimo. A melhor coisa que aconteceu foi ter dado errado no Brasil! Depois de passar três dias comendo bem, eu peguei um ônibus de San Telmo uma hora antes de o show começar, um puta caminho lindo até o River, parecia City Tour... Pessoas de todas as idades dentro do ônibus e indo para o mesmo lugar... tava calor mas o ar dentro do transporte era agradável... desci um ponto antes de onde devia... super tranqüilo, fui a pé, todos caminhando no mesmo ritmo, sem tumulto... pouca revista, nada de fila. Nada! Eis que entro no estádio, e assim, o River é pequeno, perto do Morumbi e do Maracanã, por exemplo... Mesmo quem tava na cadeira inferior lá via relativamente perto o palco... mas o Campo VIP, era muito pequeno... o cara q vendeu o ingresso tinha dito, mas era MUITO restrito. Por mais que você ficasse no fundo, era impossível ficar longe. Eu realmente não esperava, porque eu sou brasileiro e sempre espero o pior nesse tipo de evento... principalmente shows em estádio.... dava para caminhar, ninguém se espremia... tomei água de gente que eu nem sabia quem era... tudo ótimo... até Paul Oakenfold começar a tocar, bem ruim, como eu já esperava... Ninguém se mexia... o som é ruim mesmo... uns remixes de red hot chilli peppers, rihanna, coisa assim o tempo todo... house progressivo chato... e ficava pior pqe todo mundo ali tava na expectativa... até q ele acabou... e aí nada acontecia! O dvd seria gravado lá naquele dia... então demorou... bate o branco, afina a luz... produtora conversa com o público, diretor no palco, fotógrafo, o caralho... demorou bem pra começar... e começou... é tanta coisa no palco, q não dá pra administrar com o olho... é mega... vc tem que ver duas vezes, primeiro de perto, e depois de longe... E depois a terceira no dvd... Mas tava tudo ali, na minha cara... o foco era nela... qdo ela adentrava a passarela q invade o público, nego ficava olhando de boca aberta. Tava ali... aquela deusa absurda, transpirando na testa... ela é bem! Bunda dura, abdômen rachado! “It`s good to be here again! 15 years, right? Never again, right?” As músicas do álbum novo são ruins na sua maioria, salvo duas ou três, os clássicos q ela tocou estão em versões anos 90 bem chatas, dance music radio version, algumas com guitarra, mas não são as originais... o figurino tá super over... Mas ela é incrível... ela sustenta tudo isso. Presença. E não sei se era pelo dvd que estava sendo gravado, mas ela foi o q eu queria q ela fosse... Simpática, agradável, animada, distribuindo sorrisos, e conversando com o público, o tempo todo! Público esse que não respondia... até que no meio do show, no act de música latina, ela canta uma música do filme “Evita”, e depois canta “Don`t cry for me argentina”, óbvio... e o estádio grita junto... e foi bonito mesmo... e ela é cercada por uma bandeira da Argentina... a partir daí, o povo parou de ser chato, e começou a dançar o restante das musicas e cantar junto e interagir... ela pediu pra platéia escolher uma música, e escolheram “Like a Virgin”... e pediu pra ajudar pqe ela não lembrava a letra toda... e cantamos sem banda... desceu do palco pra cantar “Give 2 me”, que foi a última musica, e disse que aquele teria sido “the best show ever”. O ponto alto do show foi “She`s not me”. Fofíssima com o óculos de coração, a musica é boa, a letra é boa... e tem umas minas vestidas de Madonna em várias fases no palco! Outra coisa boa foi em “music”, qdo ela canta “...makes the people “cum” together” ela toca uma punheta rapidinho ninguém viu... e a parte mais bonita é em “Devil wouldn`t recognize you”, onde ela é cercada por led`s com gotas de chuva caindo ao redor... é bem legal... um cara no piano e ela em cima dele cantando... ela é diva, fodona!

Quando acabou o show, penei pra pegar um táxi pra voltar pro hotel. A cidade não tem estrutura pra eventos desse porte. E aí sim fodeu, ônibus cheio e tal... mas o q é isso perto de gente acampando na porta de um lugar 10 dias antes do show começar? Preguiça!

Matei minha vontade, aquela que tinha desde 93, quando não pude ir ao show porque não tinha idade pra entrar... E por isso toda essa função, que não foi nenhum esforço. E faria de novo... não no Brasil, mas fora daqui, certeza... Eu espero q aqui seja tão bom qto foi lá... quero que meus amigos se divirtam tanto quanto eu me diverti.

7.10.08

olha

stillnox é incrível.

20.7.08

não não fique triste se você viu e não gostou
pense no quanto é bom não ver todo dia
não não fique triste

se você olha a foto e tenta se encaixar mas percebe que não pertence (e que nunca pertenceu)
não é bom forçar a barra
o melhor é deixar ir

não não fique triste se foi um prazer rever
que na verdade não foi
são só cordialidades de algo que um dia foi troca de energia

não é a primeira, nem a última que vc vai se sentir substituído
já fez isso e já foi feito
e tão fazendo de novo e você faz agora

o melhor que você fez foi deixar ir, o melhor que ele faz é deixar ir
foi um prazer te rever (pra ser educado)




17.7.08

lacuna inc.

ontem uma amiga disse pra eu retomar o blog pqe ela gosta dos meus textos.
acontece que eu só escrevo bem quando estou amando, ou quando estou drogado, o que é a mesma coisa...
não sei se eu vou conseguir postar, já que estou em abstinência!

ouça: pas-de-deux - tchaikovsky (o trecho mais intenso de "o quebra-nozes")
assista: blue - derek jarman
compre: coisas pra minha casa

21.8.07

trezentos e cinquenta organismos pensantes e pulsantes e nada.
todos com o mesmo objetivo, nada.

mas:



"Nós dois por aí abraçados,
Não se largando pra nada,
Para cima e para baixo, estrada afora , Norte e Sul, em eterna
viagem,
Amando o poder, descontraídos, estalando os dedos,
Sem medo algum, comendo e bebendo, fazendo amor,
Feito foras-da-lei, furtando aqui, ameaçando ali, combatendo
acolá,
Ora pedindo, alarmando senhores, serviçais, padres, respirando
ar puro,
Perturbando cidades, desprezando regras morais, afastando
a covardia,
Consumando a invasão!"

WHITMAN, Walt. Folhas da Relva

16.6.07

ontem eu enxerguei o oceano novamente

estive num cruzeiro no final do ano passado e próximo do mar. próximo ao ponto de um simples passo intencional para fora do deck me tirar daqui pra sempre. ou até um não intencional causado pelas cinco dúzias de taças de champagne que sobem mais ainda em alto mar.
eu estava perto do mar. eu o vi com todas as vestimentas. azul claro na manhã de verão. verde ao meio-dia quente. cinza ao entardecer com céu encoberto. e preto básico vestido pra noite. vestido pra noite em que eu, perdido de corpo, de mente sabia onde estava. onde sempre estive, e de onde, por alguma razão, não consigo sair. no oceano que eu vi ontem. um oceano sem fim, profundo, só que ao invés de vestir preto na noite, veste verde. verde de manhã, verde à tarde. verde molhado. o oceano verde infinito e constante me trouxe pra ele numa noite fria, e sim existe um encanto, um feitiço. dele nunca mais saí. nele me perdi. e nunca soube tão bem onde estive. no oceano verde infinito e constante que da água já provei, e é salgada como no oceano inconstante.
ontem o oceano verde infinito e constante se abriu pra mim por alguns minutos. e pude perceber que quanto mais se abre, mas eu vou fundo, e me perco. e me perder nele me arrepia a espinha.
o oceano que todo mundo conhece é lindo, misterioso, grande e desconhecido. mas o verde...
mas o verde...
...que por mais distante por distância, perto está na minha nuca.
sem o verde marejado
daí um cruzeiro, algumas cinco dúzias de taças de champagne...

1.5.07

zero bpm

naquela estrada fria e cercada de árvoras altas, no inverno.
de dentro do carro que anda meio devagar e todo encapotado.
com aquela música de bom tom e a luz q vem do sol, q vem da diagonal no seu canto do rosto, ultrapassa os galhos secos e atravessa o vidro pra chegar na minha pele gelada, que cobre muitas coisas e também, o meu coração, que é gelado como a pele mas bate sempre rápido. sempre rápido.
cansa e chego a achar que a causa da minha morte será parada cardíaca na meia idade.
eu retorno esperançoso e engraçado, a esperança sempre tem ligação com a distância.
próximo estou longe.
longe estou perto.
não tem meio do caminho.
extremidades como de costume.
muito trabalho.
nenhum trabalho.
muita felicidade.
muita tristeza.
filme muito bom.
filme horrível.
música boa.
música ruim.
como gostar de algo mais ou menos?
não consigo.
tento mas não consigo.
de repente vejo aquela luz do sol que atravessa o galho seco no inverno só que no verão.
no mesmo mês.
duas estações diferentes e rigorosas.
muito calor.
muito frio.
me mostra que existe sentimento real como quando uma mãe vê a sua criança, que chutava sua barriga por dentro, pela primeira vez.
mas não é isso.
é igual a tudo que eu já vivi.
basta a sua distração, pra minha solidão.

veja: mary.abel ferrara

ouça: inside of love.nada surf

compre: apple tv