estive num cruzeiro no final do ano passado e próximo do mar. próximo ao ponto de um simples passo intencional para fora do deck me tirar daqui pra sempre. ou até um não intencional causado pelas cinco dúzias de taças de champagne que sobem mais ainda em alto mar.
eu estava perto do mar. eu o vi com todas as vestimentas. azul claro na manhã de verão. verde ao meio-dia quente. cinza ao entardecer com céu encoberto. e preto básico vestido pra noite. vestido pra noite em que eu, perdido de corpo, de mente sabia onde estava. onde sempre estive, e de onde, por alguma razão, não consigo sair. no oceano que eu vi ontem. um oceano sem fim, profundo, só que ao invés de vestir preto na noite, veste verde. verde de manhã, verde à tarde. verde molhado. o oceano verde infinito e constante me trouxe pra ele numa noite fria, e sim existe um encanto, um feitiço. dele nunca mais saí. nele me perdi. e nunca soube tão bem onde estive. no oceano verde infinito e constante que da água já provei, e é salgada como no oceano inconstante.
ontem o oceano verde infinito e constante se abriu pra mim por alguns minutos. e pude perceber que quanto mais se abre, mas eu vou fundo, e me perco. e me perder nele me arrepia a espinha.
o oceano que todo mundo conhece é lindo, misterioso, grande e desconhecido. mas o verde...
mas o verde...
...que por mais distante por distância, perto está na minha nuca.
sem o verde marejado
daí um cruzeiro, algumas cinco dúzias de taças de champagne...
16.6.07
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